“Bonde dos Mauricinhos” presta depoimento e integrantes confessam vandalismo em Manaus

Amazonas Policial

Enrick (primeiro da esquerda para direita) e Pedro (primeiro da direita para esquerda) prestaram depoimento hoje. Marcos (do meio) será ouvido na próxima semana

Pedro Henrique de Carvalho Baima, 20, e Enrick Benigno Lima, 20, foram ouvidos na manhã desta quarta-feira (27) no 1° Distrito Integrado de Polícia (Dip), Bairro Praça 14 de Janeiro, zona Sul de Manaus, para prestar depoimento sobre atos de vandalismo na capital. Eles são integrantes do grupo “Bonde dos Mauricinhos.

Conforme o delegado Cícero Túlio, titular do 1ª Distrito  Integrado de Polícia (DIP), ambos confessaram a participação nos atos de vandalismo, como incêndio, disparo de arma de fogo e outros crimes.

Em seus depoimentos, Enrick e Pedro revelaram que a motivação para os atos era a busca por adrenalina e a necessidade de reconhecimento nas redes sociais. Segundo eles, o grupo se reunia para filmar e registrar suas ações, compartilhando os vídeos em um grupo de WhatsApp.

“Todos que foram interrogados alegam que faziam parte de um grupo de jovens que integravam uma equipe de futebol de colégio, e que durante um período passaram a realizar filmagens de diversas ocasiões nas quais eles acabavam cometendo esses delitos”, explicou o delegado.

Terceiro envolvido
Segundo Cícero Túlio, o terceiro integrante do grupo, identificado como Marcos Vinicius Mota, também será ouvido na próxima semana e deve prestar esclarecimentos sobre a posse de uma arma que foi encontrada em sua residência durante as buscas.

“Se trata efetivamente de uma arma de fogo real, todos eles confirmam essa informação. Portanto, as investigações continuam para apurar a participação de outros envolvidos e a extensão dos danos causados”, disse o delegado.

O grupo, formado por jovens de classe média, é acusado de diversos crimes registrados em vídeos por eles mesmos, como disparos de arma de fogo em áreas residenciais, incêndios, vandalismo contra prédios públicos e privados, agressões a pessoas em situação de rua e atos de corrupção de menores.

Outros crimes
A polícia investiga pelo menos sete crimes cometidos pelo grupo, incluindo explosão qualificada, incêndio qualificado, associação criminosa, porte de arma de fogo, corrupção de menores e disparo de arma de fogo.

Medidas cautelares
Os três integrantes do grupo tiveram a prisão preventiva revogada e estão respondendo ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares.

Defesa
O advogado Affimar Cabo Verde, que faz a defesa de Pedro, afirmou que desde o início das investigações, seu cliente se colocou à disposição da autoridade policial para prestar os esclarecimentos sobre os fatos que resultaram na instauração do inquérito, somente o fazendo nesta quarta porque foi a data designada para a colheita do seu depoimento.

“O primeiro a ser ouvido foi o Pedro, e seu depoimento durou cerca de uma hora. Concluídas as investigações, os autos serão enviados para a Justiça, momento em que o Ministério Público avaliará tudo o que foi apurado. Na atualidade, o Pedro permanece cumprindo rigorosamente as medidas cautelares estabelecidas pelo Juízo da Vara de Inquéritos”, afirma o advogado.

Na época em que os vídeos dos atos de vandalismo viralizaram, os três chegaram a ter a prisão decretada, mas conseguiram a revogação mediante a aplicação de medidas cautelares. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil (PC-AM).