A água já invade ruas, casas e becos do Centro e de bairros, como Educandos, São Jorge e Colônia Antônio Aleixo
O Rio Negro está sete centímetros de atingir a cota de inundação severa em Manaus, de 29 metros, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB). O nível de 28,93 metros foi registrado pela medição do Porto de Manaus na sexta-feira (20/6). A cheia avança e já impacta diretamente a rotina de moradores em várias regiões de Manaus.
A escalada da subida das águas acontece após uma série de chuvas registradas nas últimas duas semanas na capital. De acordo com SGB, a cota do rio Negro tem possibilidade de 42% de alcançar os 29 metros, com 85% de chegar a 29,43 metros. O recorde histórico de cheia em Manaus é de 30,02 metros, registrado em 2021.
Pico da vazante
Em 2021, o rio atingiu a marca histórica no dia 5 de junho daquele ano. Apesar da severa cheia deste ano, o ápice de 2021 dificilmente será superado segundo o SGB.
Conforme dados do SGB, o rio Negro em Manaus apresenta um hidrograma estável tendo o pico registrado, na maioria dos casos, em junho. Com isso, a tendência é que o fluxo de aumento se reduza nas próximas semanas para então iniciar o processo de vazante.
“Em 73% dos anos da série histórica a cota máxima é atingida no mês de junho e 24% no mês julho. A partir daí o rio Negro tende a iniciar seu processo de vazante, até que atinja a cota mínima”, informa o órgão em boletim.
Água invade casas
No bairro Educandos, na zona Sul, a água já invade ruas, casas e becos. Moradores enfrentam dificuldades para se locomover e vivem sob constante risco de doenças e acidentes causados por animais peçonhentos.
“É cobra, rato, tudo o que não presta tem aqui e não aparece ninguém. Isso preocupa a gente que a gente quase não consegue dormir pensando como a gente vai reagir”, desabafou a moradora Marilene Barbosa.
A situação também é crítica em pontos do Centro. Nas imediações do Mirante Lúcia Almeida, a água do rio já avança por áreas normalmente secas, atingindo o pátio de uma das casas.
Outros bairros, como Colônia Antônio Aleixo e São Jorge, também são afetados. Nesses locais, as casas mais afetadas são as de palafita, que acabam entrando em contato direto com a água.
Sobre a construção das pontes, a prefeitura de Manaus informou que mobiliza equipes para construção desde abril. Até maio, 400 metros de passarelas foram instaladas no bairro São Jorge e outros 100 metros no Educandos. A reportagem procurou a Defesa Civil do Município, mas não obtivemos respostas até o fechamento da reportagem.
Cuidados com a saúde
A cheia intensifica riscos à saúde da população. Entre os problemas estão o aumento de acidentes com animais peçonhentos e a ocorrência de doenças infecciosas causadas pelo contato com a água contaminada. Profissionais da saúde alertam para enfermidades como leptospirose, hepatite A, tétano acidental e diarreias infecciosas.
“Mesmo um pequeno arranhão pode ser porta de entrada para infecções. A água utilizada deve ser sempre filtrada ou fervida, e qualquer alimento que tenha tido contato com a água da cheia deve ser descartado, mesmo que a embalagem pareça intacta”, orienta a médica Nilcéia Mota.
