Interior do AM sofre com enfraquecimento na aviação comercial

Amazonas

O Amazonas tem registrado um progressivo enfraquecimento da aviação no estado, com a retirada de voos comerciais em municípios do interior do estado. O mais recente caso envolve o município de Eirunepé, que teve as operações suspensas pela Azul. A cidade se junta a uma crescente lista de localidades amazonenses que estão sendo excluídas da malha aérea regular e voltam a depender exclusivamente do transporte fluvial ou de táxis aéreos, que são os mais caros e inacessíveis para a maioria da população.

Anteriormente, Barcelos já havia sido afetada por cortes de voos da mesma companhia com a justificativa de risco de colisões com aves. Tefé e Manicoré não registraram anúncios oficiais da suspensão de voos, mas em consulta realizada pela reportagem ao site da Azul, foi constatado que não há assentos disponíveis para voos com estes destinos.

Com a suspensão dos voos, municípios como Eirunepé, Tefé e Manicoré passam a depender de barcos cujas viagens podem durar dias até a capital Manaus e outros municípios. Nos casos mais críticos, a ausência de voos compromete o acesso da população a serviços essenciais, como saúde, em caso de necessidade de locomoção para atendimentos emergenciais.

Além do custo elevado de voos alternativos por meio de táxis aéreos, a imprevisibilidade e a escassez de rotas agravam o isolamento geográfico de cidades ribeirinhas e afetam diretamente a qualidade de vida e o desenvolvimento regional.

A Azul justifica que a suspensão é temporária e foi motivada pela necessidade de adequações de segurança no Aeroporto de Eirunepé, conforme exigências da Anac. A companhia afirma que a medida visa garantir a segurança das operações, mas não deu prazo para retomar os voos.

Repercussão

Na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o tema gerou forte reação nas últimas semanas. O deputado Abdala Fraxe criticou a Azul, apontando descaso com Eirunepé. “O município de Eirunepé está ilhado do ponto de vista aéreo. Essa casa já votou uma isenção de ICMS no combustível de aviação para que esses voos tivessem a capacidade econômica de serem realizados e simplesmente a Azul cancela e não avisa, não dá uma notícia, não marca uma reunião”, reclamou.

Já o presidente da Aleam, Roberto Cidade (União Brasil), reforçou que a empresa recebeu incentivos para operar no estado e classificou a postura da companhia como desrespeitosa. “A Azul Linhas Aéreas tem que ter respeito pelo estado do Amazonas. É uma empresa que veio pra cá e não veio de graça, teve que ter concessões, benefícios, tivemos que ter uma articulação política para que essa empresa viesse pra cá…”, argumentou.