De acordo com informações do jornal Estadão, assessores do ministro da Justiça, Flávio Dino, receberam no prédio do ministério uma integrante do Comando Vermelho, conhecida como a “dama do tráfico amazonense”, em duas ocasiões neste ano. Luciane Barbosa Farias, uma figura já condenada por associação ao Comando Vermelho, participou de reuniões com dois secretários e dois diretores da pasta de Dino em um período de três meses, apesar de não estar registrada nas agendas oficiais.
O marido de Luciane, Clemilson dos Santos Farias, conhecido como Tio Patinhas e considerado o “criminoso número um” na lista de procurados pela polícia do Amazonas até ser preso em dezembro passado, é conhecido por sua “altíssima periculosidade e desprezo à vida alheia”, de acordo com o Ministério Público. Ele é acusado de possuir poder econômico derivado do tráfico de drogas e de ser cruel com seus devedores, frequentemente recorrendo à violência.
Os métodos violentos associados a Tio Patinhas, incluindo ataques a estabelecimentos e execuções de vítimas, são bem conhecidos na crônica policial do Amazonas. Luciane foi acusada de desempenhar um papel fundamental como o “braço financeiro” da operação do marido, ocultando valores obtidos do narcotráfico, adquirindo bens de luxo, imóveis e registrando “empresas laranjas”. Isso a levou a conquistar a confiabilidade da cúpula da Organização Criminosa do “Comando Vermelho”.
Luciane assumiu a presidência da Associação Instituto Liberdade do Amazonas (ILA) em maio, uma ONG que atua em defesa dos direitos dos detentos, embora investigações sigilosas sugiram que a organização também é financiada com dinheiro do tráfico. A Polícia Civil do Amazonas afirma que a ILA apoia detentos ligados à facção.
