Cheia nos rios do Amazonas intensifica narcotráfico na fronteira

Policial

A cheia dos rios no Amazonas tem intensificado o escoamento de drogas provenientes da região de fronteira, segundo o delegado Mário Paulo, diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO). Nas últimas duas semanas de maio, foram registradas seis ocorrências com a apreensão de grandes volumes de entorpecentes. No último domingo (1º/6), a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) registrou a maior apreensão de drogas da história do estado com 6,5 toneladas

Durante a cheia, os rios se expandem e alcançam áreas que, na seca, são inacessíveis ou de difícil navegação. Isso permite que barcos e balsas entrem em igarapés, braços de rio e comunidades ribeirinhas isoladas, facilitando a movimentação clandestina. E, ainda, durante o período cresce o número de embarcações circulando por motivos legítimos (comércio, ajuda humanitária, transporte de pessoas e cargas). Os traficantes se aproveitam desse fluxo para esconder as drogas em cargas legais.

“Trata-se de uma atividade altamente lucrativa, atraindo diversos grupos que utilizam as mais variadas modalidades de transporte. Nosso foco inicial é sempre impedir que grandes carregamentos cheguem às cidades do interior e à capital, evitando que sejam pulverizados nos bairros e gerem uma série de problemas sociais”, ressaltou o delegado.

Nas últimas duas semanas, foram registradas seis apreensões, somando mais de duas toneladas de drogas, que foram retiradas de circulação. Além do impacto financeiro para o crime organizado, as ações têm efeitos diretos na segurança pública, conforme destaca Mário Paulo.

“A interrupção do fluxo de entorpecentes contribui para reduzir crimes relacionados ao tráfico, como homicídios, roubos e disputas entre facções. Essa ação preventiva não só visa cortar o fluxo de entorpecentes como também previne crimes correlatos, otimiza o emprego de recursos das forças de segurança e contribui para desafogar a demanda do Ministério Público e do Poder Judiciário”, afirmou o delegado.

Ocorrências
Equipes da Companhia de Operações Especiais (COE) apreenderam 6,5 toneladas de entorpecentes, entre maconha skunk e cocaína, na noite de domingo (1º/6), no Rio Solimões, próximo ao município de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus). As drogas e um arsenal com armamentos de grosso calibre estavam dentro de uma embarcação. A polícia realizou a abordagem após  denúncia anônima e levantamento de inteligência. Ao se aproximarem, os ocupantes da lancha dispararam contra os policiais militares, que revidaram.

Em uma das ações, as forças de segurança apreenderam mais de uma tonelada de haxixe e maconha avaliados em R$ 24 milhões. Na ocasião, a carga foi encontrada escondida em um compartimento chamado de “caleta submarina” de uma embarcação. Essa foi a primeira vez em que a Polícia Civil encontrou drogas escondidas em um compartimento do tipo em uma embarcação.

Na semana passada, 600 quilos de maconha tipo skunk foram apreendidos. O material estava avaliado em R$ 12 milhões. Conforme o delegado Mario Paulo, diretor do DRCO, o grupo que estava transportando a droga já costuma fazer a logística de droga do interior do Estado para Manaus. Durante a investigação, foi possível identificar que o grupo teria recebido a droga, provavelmente vinda por meio fluvial, e fez o transbordo da carga para um veículo no ramal do Laranjal, na Rodovia Estadual AM-070.