quilômetros de Manaus) para a capital em uma incubadora improvisada. Uma tampa transparente usada em embalagens de bolo foi colocada sobre a cabeça da criança.
a avó paterna do recém-nascido, Damiana Silva Guimarães, de 38 anos, informou que o neto nasceu na última quinta-feira (1º) com 33 semanas (oito meses) e foi diagnosticado com anemia e pneumonia.De acordo com Damiana, o bebê foi levado de lancha até o município de Itapiranga (a 226 quilômetros de Manaus) e de lá para a capital de ambulância. A criança está internada na Maternidade Estadual Balbina Mestrinho.
A avó do bebê afirma que a Secretaria Municipal de Saúde de São Sebastião do Uatumã não se pronunciou sobre o caso.
“Quando vi a situação que meu neto foi transferido fiquei chocada! Os profissionais de saúde não têm culpa, mas sim a mal administração! Foi uma humilhação que sentimos, chorei muito. Um ser tão pequeno passar por isso”, disse.
Damiana reclama do quadro da saúde pública no município. “Nós pagamos nossos impostos e somos humilhados. Os postos de saúde não têm remédios para as pessoas. Tá tudo errado, estamos indignados. Eu quero justiça!”, disse.
Ilson Coelho de Macedo, advogado da família, afirma que entrará com um processo para indenização por danos morais contra o Município e o Estado, e informará o Ministério Público sobre o caso.
O advogado explica que considerando o atentado à honra e ao psicológico, mais o constrangimento que o bebê e os familiares passaram, a indenização deve ser de no mínimo R$ 60 mil.
Ilson Macedo relata que a saúde pública na cidade está totalmente defasada na questão administrativa. “Existem alguns profissionais aqui em Uatumã? Existem. Mas há a questão do hospital daqui. A própria propaganda da assessoria de comunicação do Município faz questão de fazer a sua merchandising em cima de ambulâncias que chegam para cá, eles colocam as reformas do hospital. Mas ultimamente, por exemplo, estamos em Uatumã sem aparelhos de PA [aparelho de pressão arterial], sem medicação e sem pediatria”, contou.
O advogado disse que já houve recém-nascidos transportados para Manaus em papel alumínio. “Então esse não é um caso isolado”.
